Minha História: Como cheguei ao Vegetarianismo/Veganismo

Sempre amei muito os animais. Como muitas crianças, eu tinha sonho de ser veterinária. Sempre admirei muito diversas espécies de animais. Ainda na infância eu “criei” cães, galinhas, lesmas, formigas, gatos, peixes, aranhas, hamister, porquinho da Índia…

Meu pai e meu avô eram pescadores, então a grande alegria era quando eles voltavam para casa após pegarem muitos peixes. Depois de descartar os animais que vinham junto e “não eram valiosos” era a hora de retirar as escamas, cabeça e orgãos internos dos peixes. Cenas completamentes normais para mim na época.

Também convivi com as situações “normais” da maioria das famílias: “Uma Aranha na parede! Mata!”, “Hoje tem galinha assada! Yumm!!”.

Com todos os exemplos que tive para seguir enquanto crescia aprendi que ao ver um animal “diferente” o correto é matar. Seguindo este aprendizado, certo dia quando estava sozinha em casa, encontrei uma pequena cobra verde no quintal. Ao vê-la fiquei desesperada e tudo que eu pensei foi “Tenho que matar!”, e eu matei. Agi de todas as formas possíveis até que notar que ela havia morrido. Quando meu pai chegou em casa, fui orgulhosamente mostrar para ele que eu tinha matado uma cobra! E para minha surpresa e desespero ele falou “Não precisava matar. Este tipo de cobra não é venenosa.”.

Algo, ali, naquele momento, mudou dentro de mim. Como assim eu havia tirado uma vida. Uma vida que não representava perigo. Matei um ser por nada? Neste momento, acredito que comecei a amadurecer e a pensar por mim mesma. Comecei a observar que os animais, em sua maioria, só atacam se se sentem ameaçados, e ainda sim, a maioria prefere se esconder ou fugir. Percebi que as pessoas matavam animais sem sentido, principalmente insetos. Vi que cada único animal tinha um propósito de vida, vidas muito curtas. Por que me tornar responsável pela morte deles? Por que matar desnecessariamente? Por que matar uma aranha? Se você está em uma luta pela sua vida com uma aranha, ok. Mas quantas vezes este é o cenário? É completamente impossível de você colocá-la em um recipiente e movê-la para longe da sua casa?

Cobra verde

O episódio com a cobra verde começou minha reflexão sobre o senso comum, sobre pessoas agindo simplismente porque é o que todo mundo faz, portanto deve ser o correto. Desde este episódio, eu parei de matar animais que não representam real perigo. Passei a movê-los de lugar sempre que possível. E sempre foi possível.

Minha alimentação, contudo, não sofreu mudanças.

Apesar de comer, nunca fui uma pessoa que fazia questão de salada, para mim era indiferente. Carne eu comia muito, algumas refeições que eu fazia eram apenas carne. Carne vermelha, branca… tanto fazia. Apenas, como muitas pessoas, eu não gostava de comer pés, nervos, gorduras.

Eu não percebia, mas meu subconsciente já dava sinais de que comer carne não era algo correto para mim. Por mais que eu não gostasse de alguns vegetais, se fosse obrigada a comer eu comia. Quanto a carnes, dependendo da carne ou da receita, apenas o cheiro já me dava ansia de vômito. Alguns pratos com carne literalmente não entravam.

Em 2007, convidei todos os meus amigos para um churrasco na minha casa para comemorar meu aniversário de 17 anos. Na noite do dia 16/09/07, estava eu na internet, navegando por diversos sites aleatórios até que me deparei com a imagem abaixo:

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Ao ver aquela imagem, algo fez sentido para mim, ou melhor, comer carne deixou de fazer sentido. Como assim corpos de animais assassidos vendidos como produtos? Isto é tão incorreto quanto comer carne humana! E então no dia 17/09/07, meu aniversário, não comi carne.

No início não pensei que havia me tornado vegetariana, apenas não comi carne naquele dia, nem no próximo, nem no próximo, e assim se passaram mais de 7 anos.

Não houve “só mais este churrasco”, “um último peixe frito”. Nada de “despedidas”. Não entendia mais aquilo como correto. Apesar de lembrar do gosto, de gostar do gosto, eu sabia, que comer animais mortos não era correto e que eu não queria ser responsável por demandar assassinatos. Sei que para algumas pessoas o processo de se tornar vegetariano é lento, mas para mim foi assim, de uma hora para outra.

Nunca “tive vontade de se tornar vegetariana”. O vegetarianismo chegou até a mim como uma espécie de iluminação. Ali naquele momento, ser vegetariano fez todo o sentido.

Virei vegetariana, mas nunca pensei sobre isto. Nunca tentei convencer ninguém a virar vegetariano, não me importava com outros comendo carne, inclusive eu mesma chegava a preparar carne para pessoas “carnívoras” na minha casa. Nunca me informei sobre o assunto, nunca me envolvi com a “comunidade vegetariana” e nunca cheguei a conhecer outro vegetariano.

Quando virei vegetariana, achei que estava fazendo o melhor que podia. Sabia que existiam algumas pessoas vegetarianas estritas, veganas, mas nunca tive a iniciativa de procurar entender o porquê disso. Quando me perguntavam se ovo e leite eu consumia eu respondia “ao menos enquanto os animais produzem não estão sendo mortos”, “é impossível comer fora de casa se parar de comer derivados de origem animal, não tem como”.

Ser vegetariano (ovolacto) sempre foi bem fácil. “Mas o que você come se não come carne?”, “Tudo menos carne!” eu respondia e assim agia. Foram mais de 7 anos de muito queijo como substituição. Pastel de queijo, panqueca de queijo, queijo, queijo e queijo.

7 anos de muito queijo, como consequência, muitos kilos a mais e muito colesterol ruim. Mas quem liga? “Não tem como parar de comer queijo! Imagina só? Loucura!”.

No dia 06/01/15 estava buscando receitas vegetarianas, que me levaram a encontrar receitas veganas, que me levaram a encontrar o vídeo abaixo:

Aquela “iluminação” veio novamente. Como assim? Peraí, como vivem os animais? Não é uma fazenda com um lindo e extenso gramado com uma pessoa que gentilmente tira o leite da vaca com as próprias mãos diariamente? Como assim as vacas tem que estar constantemente grávidas para produzir leite? Como assim os bezerros não nascem e vivem felizes para sempre naquela linda fazenda?

As perguntas acima, em sua maioria são muito idiotas, mas são perguntas que a maioria das pessoas não faz, nem se quer pensa sobre elas. Eu descobri as respostas e depois que se descobre não tem como fingir que não sabe.

Depois daquele vídeo eu tinha que saber mais sobre isto. Pesquisei, pesquisei e pesquisei. E as sim refleti sobre a vida de animais em um geral e toda a filosofia vegana. Alimentação, testes em animais, comércio de animais domésticos, circos… Entendi o sofrimento, a exploração. A primeira ida ao mercado após se tornar vegana é um processo extremamente triste.

Novamente não houveram despedidas. Desde aquele vídeo, parei de comer derivados de origem animal, parei de comprar itens de marcas que eu descobri que testavam em animais, parei de comprar produtos com ingredientes de origem animal e mudei meu pensamento com relação a diversas pequenas coisas que eu nunca havia pensado antes.

Foi um início confuso. Tive conflitos internos. “Será mesmo correto ser vegano?”, “Vou conseguir me manter saudável?”, “Como vou comer fora de casa?”, “Vou ter que comer só salada?”, “Deve ter uma meia dúzia de veganos só!”. Com o tempo, descobri resposta para todas as perguntas.

Quando virei vegana mudei a forma de ver o mundo. É ótimo ver o mundo como um todo, entender o porquê das coisas e agir da forma que acredita ser correta. Vejo um mundo triste, compulsivo e indiferente, mas também vejo esperança, vejo motivação de vida.

A melhor coisa que fiz na vida foi me tornar vegana, meu único arrependimento é não ter feito isto antes. Peço perdão pelas diversas vidas cujas quais eu fui responsável pelo fim no passado e me alegro por saber que me uni às milhares de pessoas que já começaram uma mudança em favor dos animais, do planeta e da saúde. #govegan 🙂