Ilustrações Veganas da Marlaina Mortati

Marlaina Mortati é uma artista norte americana que se tornou vegana em 2011 e desde então tem focado o seu trabalho em ilustrações veganas.

A artista faz lindos desenhos de animais e também ilustrações retratando a exploração e tortura pelas quais eles passam a fins de benefícios humanos.

Separei alguns dos trabalhos dela que eu mais gosto para mostrar aqui para vocês. No seu site pessoal é possível ver outros desenhos e conhecer mais sobre a ela. 🙂

Ilustrações Marlaina Mortati Ilustrações Marlaina Mortati Ilustrações Marlaina Mortati Ilustrações Marlaina Mortati Ilustrações Marlaina Mortati

Por que não comprar animais de estimação?

Quando eu era criança, meu sonho era ter uma casa em um terreno enorme e por toda a volta deste terreno ter canis com as mais diversas raças de cães. Eu trabalharia cuidando deles e vendendo os filhotes. Já na adolescência eu vi sonho era impraticável. Comprar uma casa em um terreno enorme não é barato, cuidar de tantos cães são é fácil e eu com certeza me apegaria aos filhotes.

Meu sonho na adolescência passou a ser ter uns 10 gatos, cada um de uma raça. Eu passava horas pesquisando e olhando sites de gatis que vendiam Maine Coons, pois este era meu principal sonho de consumo.

Foi só no final de 2010 que eu aprendi que cuidar de um animalzinho não é algo a ser feito por aparência. Foi só naquela virada de ano que eu de fato entendi que amor não se compra.

Naquele ano novo me apaixonei por dois barrigudinhos, remelentos. Sem nome, sobrenome, muito menos raça ou Pedigree. Abriguei, dei comida e carinho e desde então recebo muito amor e cumplicidade em troca.

Pra mim foi necessário passar por toda essa experiência de resgate pra conseguir criar consciência de que não devemos comprar animais. Entretanto, espero que este post ajude a quem ainda pensa em comprar um animal a repensar a sua vontade.

De minha parte eu vejo que a minha vontade de ter animais de raça partiu de dois pontos. Na minha infância, eu sempre ia visitar meus parentes e amigos dos meus pais e normalmente eles tinham algum cão de raça tratado com todas as mordomias e algum outro cão que ficava na rua sem muito paradeiro e era tratado como “ah, esse aí é um vira-lata que apareceu por aqui”. Eu como criança queria um cão tratado com mordomia e dentro de casa e não um que ficava perambulando e as vezes nem nome tinha. Não entendia eu, que o “vira-lata” podia e devia também ser tratado com mimos. Já na minha adolescência o exemplo vinha de cantores, atrizes e blogueiras. Todos com animais de raça. Eu queria usar o mesmo batom, a mesma marca de roupas e ter a mesma raça de animal. Você já percebeu como a maioria das blogueiras até faz um ou outra publicação incentivando adoções, mas o seu bichinho sempre é de raça?

Não me entendam mal, todos os animais merecem um lar, amor e carinho. Tendo eles raça definida ou não. Não há problema algum em adotar um animal de raça que está precisando de abrigo. O problema é comprar e incentivar o comércio de vidas.

Pra mim a principal motivação para não comprar animais é que a cada animal que sai de uma Pet Shop é mais um animal que não sai das ruas. A pessoa viu que tem condições financeiras para sustentar um bichinho, tem muito amor para dar e está em busca de um companheiro. Ou seja, ela tem todas as condições necessárias para resgatar um animal que está passando frio, fome, sede, e enfrentando perigos nas ruas. Se você pode e quer ser tutor de um bichinho porque não buscar um que quer e precisa muito de um lar?

Tem todo o tipo de cão e gato (e até outros animais) para serem adotados. Tem pequeno, médio grande, peludo, com pouco pelo, adulto, filhote… E com as mais diversas aparências e personalidades!

Te proponho o seguinte. Se estiver pensando em comprar um animal, visite algumas ONGs da sua cidade. Tenho certeza que você sairá de lá com o pensamento mudado e possivelmente já com o seu novo amigo no colo.

Outro grande motivo é o sistema de compra e venda de animais em si. Vidas sendo tratadas como mercadorias.

Você já pensou em todo o processo?  Primeiro, pra se ter filhotes é preciso o coito entre os animais. Que em alguns lugares até acontece de forma natural. Mas, é um processo lucrativo como qualquer outro. As fêmeas tem o seu pico de período fértil. Não se pode perder uma oportunidade de ninhada, pois não ter ninhada significa não ter dinheiro e se não tem dinheiro a empresa entra em falência. Sendo assim, vai ter procriação sim, custe o que custar.

Depois os filhotes vão parar em lojas de animais em cubículos onde ficam por horas como meros produtos em uma prateleira esperando que eles sejam bons o suficiente pra que alguém acredite que eles merecem receber um lar. Houve uma época que eu adorava ficar olhando os bichinhos. Hoje eu confesso que eu desvio o olhar, pois a cena me causa uma indignação absurda.

E o que se faz com produtos que não são vendidos? Exato, são descartados. Existem os mais diversos relatos, desde animais que são abandonados até animais que são sacrificados. Dos que conseguem se manter nos seus canis, não são muitos os que são bem tratados, a grande maioria ou se torna reprodutor e continua na cadeia de abusos ou é mantido com os suprimentos básicos por ali só aguardando a morte mesmo.

Novamente a empatia tem que entrar em cena. Você, mulher, gostaria de ser abusada, passar a sua vida engravidando em sequencia e tendo seus filhos tirados de você?

E por fim, existe o fato de que animais “de raça” não são naturais. O natural é que animais da mesma espécie se reproduzam e ocorra a adaptação pelo ambiente e a seleção natural. Onde de forma natural acontecerá de animais de mesma espécie que vivem em na mesma região acabem apresentando semelhanças com base nas características mais fortes que foram passadas ao longo dos anos.

Animais de rua tem uma expectativa de vida bem pequena por conta das diversas adversidades que passam nas ruas, mas animais sem raça definida em geral possuem uma saúde superior a animais de raça exatamente pelo fato de a sua genética trazer o que teve de mais forte até ali, sem filtros ou interferência do homem.

Animais de raça, em principal os com focinho achatado, possuem muitos problemas respiratórios, problemas na dentição entre outros.

Que tal adotar um animalzinho ao invés de comprar? Tenho certeza que você não irá se arrepender! 😉

Ocultos

A campanha Ocultos é provavelmente uma das minhas preferidas. Ela aborda a causa animal através da inversão de papéis, instigando a empatia. Foi através de um movimento com uma abordagem similar que eu parei de consumir carnes, portanto acredito muito na efetividade de campanhas neste estilo.

Na campanha elaborada pelo fotógrafo Hugo Fagundes Silva, pessoas nuas representando animais foram fotografadas em um matadouro desativado. Com frases de reflexão como “Não existe abate humanitário quando o próximo a morrer é você”, as imagens possuem impacto e buscam chamar a atenção para o sofrimento animal e a importância de qualquer vida, seja ela humana ou não.

Segue algumas imagens da campanha. Versões em inglês e outras informações vocês podem conferir aqui.

1 2 4 3

Campanha Não finja que não viu

Já fazem uns anos que a ULA (União Libertária Animal) lançou uma campanha inspirada na notificação de visualização do WhatsApp. A ideia foi aproveitar a polêmica que esta atualização do aplicativo causou na época para chamar a atenção para importantes causas animais.

Mesmo já passado um bom tempo do lançamento, a campanha continua atual portanto achei bacana compartilhar aqui para quem ainda não viu.

Vários são os temas abordados na campanha. Nas imagens são explorados assuntos como castração, adoção, maus tratos, exploração e abate.

Segue algumas imagens da campanha, outras você pode conferir aqui.

campanhanaofinja16 campanhanaofinja15 campanhanaofinja12 campanhanaofinja11 campanhanaofinja4 campanhanaofinja2

Por que não ir a circos com animais?

 

Lembro que eu tinha um livro quando criança em que a personagem principal era uma menina que também se chamava Leticia e ela aprontava todas em uma ida ao circo. Acho que essa foi a minha primeira relação com circos.

Mais tarde fui em vários passeios de escola cujo destino eram circos. E é claro, sempre assistia as pequenas apresentações que circos faziam em programas de televisão. Sempre gostei muito do circo, mas desde pequena tinham duas coisas que nunca me agradaram: palhaços e animais.

O que me encantava no circo (e ainda encanta) eram as apresentações de contorcionismo, de trapézio e lira circense. Ficava encantada com as roupas brilhantes e coloridas, e impressionada com a capacidade dos artistas em fazer coisas mirabolantes com seus corpos. Confesso que praticamente sempre que eu voltava de uma apresentação eu tentava me dobrar toda para caber em uma mala vestida com um maiô de praia!

Faz muito tempo que não vou a circos então não sei como estão as apresentações atualmente, mas na época em que eu frequentava os palhaços faziam umas palhaçadas absurdamente sem graça. Sempre fui uma criança com uma mentalidade um pouco mais madura então enquanto a criançada ria de uma palhaço que atirava bolas de plástico no colega enquanto virava cambalhotas eu só conseguia pensar “quando que isso vai acabar e os trapezistas vão aparecer?”.

Quanto a animais eu não tenho nenhuma lembrança nítida de ter assistido pessoalmente, mas eu vi muito pela televisão e não gostava. Na época, muito nova que eu era, não tinha ainda nenhuma noção de direito dos animais ou pensava que eles pudessem ser maltratados. O que me fazia não gostar destas apresentações na época é o fato de eu sempre assistir com meus pais documentários sobre animais e a vida selvagem e quando eu via uma pessoa cara a cara com um tigre eu tinha medo por aquela pessoa e só pensava “isso não vai dar certo, nem quero ver”.

Diferentemente de como eu sou, sei que tem pessoas que adoram ver animais fazendo atividades não naturais a eles, eu mesma conheço várias pessoas que com certeza adorariam levar seus filhos ou irmãos menores para assistir animais se apresentando. O circo fantasia, ilude e obviamente só mostra o brilho e as cores. É preciso pensar. É preciso ver além.

4

Como toda atitude baseada no veganismo, não apoiar circos com animais tem tudo a ver com empatia.

Circos costumam se estabelecer em uma cidade, fazer um certo número de apresentações e partir para outra cidade. Os animais vivem encarcerados e ainda são obrigados a enfrentar viagens em condições mínimas. Levo meus gatos ao veterinário cuja distância da minha casa é cerca de 6km e durante este trajeto minha gata chega a ficar de boca aberta transpirando como um cachorro de tão nervosa e os meus dois gatinhos miam incessantemente durante todo o trajeto. Isto eles estando em caixas confortáveis de transporte e comigo conversando e fazendo carinho o tempo todo. Será que viagens são estressantes para animais?

3

São diversas as espécies de animais que são exploradas em circos. Em sua maioria são animais selvagens e de grande porte. É impossível garantir que sempre todos os animais estarão alimentados como deveriam. Afinal, já imaginou quanto um leão ou um tigre come por dia?

Muitos dos animais que são extremamente sociáveis na natureza não tem nem a possibilidade de conviver com outros da mesma espécie se tornando ficando estressados e depressivos.

1

Muitos podem querer acreditar que os animais não sofrem maus-tratos durante seus treinamentos. Talvez associando a adestramentos de cães em que você dá um petisco para em alguns dias fazer seu cão associar que ele deve se sentar quando algum comando for dado. Mas, animais de circo são selvagens. Você já tentou adestrar gatos? Eu posso dar uma comida mais especial para os meus gatos que eles não vão sentar para ganhá-la. Eles ou desistirão de ganhar, ou vão tentar descobrir de onde veio aquela comida para pegar sozinhos ou ainda vão fazer de tudo para tirá-la de mim. Animais com instinto selvagem não vão trabalhar por comida. Mas, sim, vão fazer algo por mais inusitado que seja para não saírem feridos. Se eu bater no meu gato sempre que ele passar pela direita ele vai começar a passar pela esquerda, pois ele não vai querer se machucar.

Por mais que um ou outro animal selvagem acabe atuando no esquema de recompensas. O circo investe e compra um animal, se ele não trabalhar no esquema de recompensa será que pensam “ah ok, você não quer trabalhar então vamos só cuidar de você”? Acho que não né? O mais provável é o tal do ditado “se não vai por bem vai por mal”.

Sem falar no simples transporte dos animais em curtas distâncias. Se eu precisar que e minha cachorrinha venha até mim basta eu chamar o nome dela. Se eu precisar que meus gatos venham até mim eu chamo, chamo novamente e de novo… as vezes eles vem, mas na maioria das vezes eu vou pego no colo e levo. Se chamaram três vezes e o elefante não veio vão pegar ele no colo ou vão puxar por correntes e cordas ou dar choques ou fincadas através de bastões com ferros?

0
Animais são imprevisíveis em um ambiente estranho e completamente não natural. Não são raros os casos em que os animais fogem do controle humano e buscam fugir daquele ambiente tão cruel em que vivem. E nesses casos pessoas saem feridas e mortas e os animais são sacrificados. Mesmo que você não se importe com os animais, você gostaria que seus filhos corressem o risco de se machucarem como dano colateral? Circos com animais não são legais pra ninguém.

5

Quando uma pessoa não consegue mais exercer o seu trabalho por conta de algum problema físico, mental ou simplesmente pela idade avançada ela se aposenta. E o que acontece com os “trabalhadores” gigantes dos circos? Não, não tem nada nem perto do INSS para dar uma ajudada. A maioria destes animais são abandonados nas cidades em condições deprimentes sendo recolhidos pelo Ibama e depois acolhidos em zoológicos com condições tão precárias quanto ou por santuários que passam meses ou anos aprendendo a lidar com os traumas destes animais e tentando dar um resto de vida um pouco mais digna para os mesmos.

Eu ainda não vi circos com animais que tenham seus próprios santuários para seus “funcionários” aposentados.

6

Felizmente já existem várias cidades, estados e até mesmo países que já perceberam que circos com animais não são legais e o uso de animais já é proibido por lei!

A real é que circos são lindos e encantadores e não precisam explorar animais para fazer arte. Os artistas mais incríveis trabalham para superar as suas próprias limitações e não exploram outros seres para isto. Vamos apoiar e incentivar circos em que pessoas vençam suas limitações e valorizar artistas tão incríveis como os trapezistas, contorcionistas e mágicos (nada de pássaros ou coelhos!)!

E quanto aos animais? Vamos deixar eles na selva de onde nunca deveriam ter saído. Seguindo seus instintos naturais e vivendo as suas vidas da maneira como devem ser. 🙂

2

Look do Dia: Life is Too Short to Make Others Shorter

Outro post de look do dia por aqui! Desta vez mostrando mais uma camiseta minha que eu comprei na Feira Vegana de Porto Alegre no stand da JoiJô. 🙂

Usei ela para dar um passeio com o meu pai e depois ir correr. A estampa tem o desenho de uma galinha, um porco e uma vaca e a frase “Life is Too Short to Make Others Shorter”.

Durante o passeio passamos por vários sítios. Em um deles tinham muitos bezerros deitados perto da cerca e eu quis parar para interagir com eles. Logo que cheguei perto todos eles levantaram e saíram de perto. Então meu pai disse para eu sentar e aguardar. Sentei, fiquei conversando com ele e quando me virei novamente vi que todos os bichinhos lindos estavam na minha volta me encarando. Me emocionei muito com a cena! Não achei que eles voltariam pra perto, mas vieram todos bem curiosos querer entender quem eu era. Lindos! <3

Na volta ainda vimos um porquinho muito amor que estava correndo absurdamente como um cachorrinho derrapando na terra e brincando. ^^

dsc_0926

dsc_0925

dsc_0928
dsc_0931

dsc_0929

dsc_0936

Minha História: Como cheguei ao Vegetarianismo/Veganismo

Sempre amei muito os animais. Como muitas crianças, eu tinha sonho de ser veterinária. Sempre admirei muito diversas espécies de animais. Ainda na infância eu “criei” cães, galinhas, lesmas, formigas, gatos, peixes, aranhas, hamister, porquinho da Índia…

Meu pai e meu avô eram pescadores, então a grande alegria era quando eles voltavam para casa após pegarem muitos peixes. Depois de descartar os animais que vinham junto e “não eram valiosos” era a hora de retirar as escamas, cabeça e orgãos internos dos peixes. Cenas completamentes normais para mim na época.

Também convivi com as situações “normais” da maioria das famílias: “Uma Aranha na parede! Mata!”, “Hoje tem galinha assada! Yumm!!”.

Com todos os exemplos que tive para seguir enquanto crescia aprendi que ao ver um animal “diferente” o correto é matar. Seguindo este aprendizado, certo dia quando estava sozinha em casa, encontrei uma pequena cobra verde no quintal. Ao vê-la fiquei desesperada e tudo que eu pensei foi “Tenho que matar!”, e eu matei. Agi de todas as formas possíveis até que notar que ela havia morrido. Quando meu pai chegou em casa, fui orgulhosamente mostrar para ele que eu tinha matado uma cobra! E para minha surpresa e desespero ele falou “Não precisava matar. Este tipo de cobra não é venenosa.”.

Algo, ali, naquele momento, mudou dentro de mim. Como assim eu havia tirado uma vida. Uma vida que não representava perigo. Matei um ser por nada? Neste momento, acredito que comecei a amadurecer e a pensar por mim mesma. Comecei a observar que os animais, em sua maioria, só atacam se se sentem ameaçados, e ainda sim, a maioria prefere se esconder ou fugir. Percebi que as pessoas matavam animais sem sentido, principalmente insetos. Vi que cada único animal tinha um propósito de vida, vidas muito curtas. Por que me tornar responsável pela morte deles? Por que matar desnecessariamente? Por que matar uma aranha? Se você está em uma luta pela sua vida com uma aranha, ok. Mas quantas vezes este é o cenário? É completamente impossível de você colocá-la em um recipiente e movê-la para longe da sua casa?

Cobra verde

O episódio com a cobra verde começou minha reflexão sobre o senso comum, sobre pessoas agindo simplismente porque é o que todo mundo faz, portanto deve ser o correto. Desde este episódio, eu parei de matar animais que não representam real perigo. Passei a movê-los de lugar sempre que possível. E sempre foi possível.

Minha alimentação, contudo, não sofreu mudanças.

Apesar de comer, nunca fui uma pessoa que fazia questão de salada, para mim era indiferente. Carne eu comia muito, algumas refeições que eu fazia eram apenas carne. Carne vermelha, branca… tanto fazia. Apenas, como muitas pessoas, eu não gostava de comer pés, nervos, gorduras.

Eu não percebia, mas meu subconsciente já dava sinais de que comer carne não era algo correto para mim. Por mais que eu não gostasse de alguns vegetais, se fosse obrigada a comer eu comia. Quanto a carnes, dependendo da carne ou da receita, apenas o cheiro já me dava ansia de vômito. Alguns pratos com carne literalmente não entravam.

Em 2007, convidei todos os meus amigos para um churrasco na minha casa para comemorar meu aniversário de 17 anos. Na noite do dia 16/09/07, estava eu na internet, navegando por diversos sites aleatórios até que me deparei com a imagem abaixo:

meat

Ao ver aquela imagem, algo fez sentido para mim, ou melhor, comer carne deixou de fazer sentido. Como assim corpos de animais assassidos vendidos como produtos? Isto é tão incorreto quanto comer carne humana! E então no dia 17/09/07, meu aniversário, não comi carne.

No início não pensei que havia me tornado vegetariana, apenas não comi carne naquele dia, nem no próximo, nem no próximo, e assim se passaram mais de 7 anos.

Não houve “só mais este churrasco”, “um último peixe frito”. Nada de “despedidas”. Não entendia mais aquilo como correto. Apesar de lembrar do gosto, de gostar do gosto, eu sabia, que comer animais mortos não era correto e que eu não queria ser responsável por demandar assassinatos. Sei que para algumas pessoas o processo de se tornar vegetariano é lento, mas para mim foi assim, de uma hora para outra.

Nunca “tive vontade de se tornar vegetariana”. O vegetarianismo chegou até a mim como uma espécie de iluminação. Ali naquele momento, ser vegetariano fez todo o sentido.

Virei vegetariana, mas nunca pensei sobre isto. Nunca tentei convencer ninguém a virar vegetariano, não me importava com outros comendo carne, inclusive eu mesma chegava a preparar carne para pessoas “carnívoras” na minha casa. Nunca me informei sobre o assunto, nunca me envolvi com a “comunidade vegetariana” e nunca cheguei a conhecer outro vegetariano.

Quando virei vegetariana, achei que estava fazendo o melhor que podia. Sabia que existiam algumas pessoas vegetarianas estritas, veganas, mas nunca tive a iniciativa de procurar entender o porquê disso. Quando me perguntavam se ovo e leite eu consumia eu respondia “ao menos enquanto os animais produzem não estão sendo mortos”, “é impossível comer fora de casa se parar de comer derivados de origem animal, não tem como”.

Ser vegetariano (ovolacto) sempre foi bem fácil. “Mas o que você come se não come carne?”, “Tudo menos carne!” eu respondia e assim agia. Foram mais de 7 anos de muito queijo como substituição. Pastel de queijo, panqueca de queijo, queijo, queijo e queijo.

7 anos de muito queijo, como consequência, muitos kilos a mais e muito colesterol ruim. Mas quem liga? “Não tem como parar de comer queijo! Imagina só? Loucura!”.

No dia 06/01/15 estava buscando receitas vegetarianas, que me levaram a encontrar receitas veganas, que me levaram a encontrar o vídeo abaixo:

Aquela “iluminação” veio novamente. Como assim? Peraí, como vivem os animais? Não é uma fazenda com um lindo e extenso gramado com uma pessoa que gentilmente tira o leite da vaca com as próprias mãos diariamente? Como assim as vacas tem que estar constantemente grávidas para produzir leite? Como assim os bezerros não nascem e vivem felizes para sempre naquela linda fazenda?

As perguntas acima, em sua maioria são muito idiotas, mas são perguntas que a maioria das pessoas não faz, nem se quer pensa sobre elas. Eu descobri as respostas e depois que se descobre não tem como fingir que não sabe.

Depois daquele vídeo eu tinha que saber mais sobre isto. Pesquisei, pesquisei e pesquisei. E as sim refleti sobre a vida de animais em um geral e toda a filosofia vegana. Alimentação, testes em animais, comércio de animais domésticos, circos… Entendi o sofrimento, a exploração. A primeira ida ao mercado após se tornar vegana é um processo extremamente triste.

Novamente não houveram despedidas. Desde aquele vídeo, parei de comer derivados de origem animal, parei de comprar itens de marcas que eu descobri que testavam em animais, parei de comprar produtos com ingredientes de origem animal e mudei meu pensamento com relação a diversas pequenas coisas que eu nunca havia pensado antes.

Foi um início confuso. Tive conflitos internos. “Será mesmo correto ser vegano?”, “Vou conseguir me manter saudável?”, “Como vou comer fora de casa?”, “Vou ter que comer só salada?”, “Deve ter uma meia dúzia de veganos só!”. Com o tempo, descobri resposta para todas as perguntas.

Quando virei vegana mudei a forma de ver o mundo. É ótimo ver o mundo como um todo, entender o porquê das coisas e agir da forma que acredita ser correta. Vejo um mundo triste, compulsivo e indiferente, mas também vejo esperança, vejo motivação de vida.

A melhor coisa que fiz na vida foi me tornar vegana, meu único arrependimento é não ter feito isto antes. Peço perdão pelas diversas vidas cujas quais eu fui responsável pelo fim no passado e me alegro por saber que me uni às milhares de pessoas que já começaram uma mudança em favor dos animais, do planeta e da saúde. #govegan 🙂

ADCOS

Um dos primeiros passos para um consumo mais correto e consciente é buscar e valorizar empresas que não realizam testes em animais. No site da PEA existe uma lista de empresas nacionais que não realizam testes em animais, o que já facilita bastante, porém apesar de os produtos de tais empresas não serem testados em animais não quer dizer que estes produtos não tenham ingredientes de origem animal.

Como comecei faz pouco no veganismo ainda estou na fase de substituir os cosméticos que eu tinha por opções mais corretas então estou na busca por descobrir quais os produtos que são cruely free de verdade, sem testes e sem ingredientes.

Pretendo ir fazendo um dossiê das marcas e produtos para facilitar as compras, para isto estou buscando informações junto às empresas cujos produtos me interessam.

A primeira empresa que está no site da PEA que eu entrei em contato foi a ADCOS.

adcos

Segundo o site a empresa tem como missão criar e disponibilizar dermocosméticos que promovam saúde, beleza e bem-estar.

Entre os produtos fabricados pela ADCOS estão itens para proteção solar, cuidados com o rosto, cuidados com o corpo, cremes anti-idade, tratamentos corporais, tratamentos faciais, peelings, clareadores, hidratação, relaxamento e bem-estar.

Site ADCOS

Site ADCOS

Ao contatar a empresa e questionar sobre quais os produtos que possuem ingredientes de origem animal recebi uma resposta educada e demonstrando a preocupação pela causa animal. Segue e-mail recebido:

Prezada Letícia,

Bom Dia!

Ficamos muito gratos por seu interesse por nossos produtos e pela causa relacionada aos testes em animais, que demonstra grande sensibilidade e empenho em transformar este mundo num lugar melhor.

Entendemos completamente a sua preocupação com o tema, pois também é uma preocupação da ADCOS. Uma empresa há 20 anos no mercado de dermocosméticos conectada ao que há de mais novo em tecnologias de fórmulas e metodologias modernas que não aplicam testes em animais para entregarmos produtos atestados como seguros e com alta eficácia.

A respeito do uso de selos em nossas embalagens, informamos que estamos atentos toda a movimentação mundial sobre o assunto para analisar a viabilidade de seu uso, visto que, atualmente, a comunidade regulatória mundial ainda está desenvolvendo métodos para certificação e reconhecimento destes selos.

Segue a listagem dos produtos que tem origem animal.

Att
Fernanda

Segue o conteúdo do arquivo enviado em anexo pela empresa, como sendo os itens que contém ingredientes de origem animal:

Produtos ADCOS que Contém Ingredientes de Origem Animal

Produtos ADCOS que Contém Ingredientes de Origem Animal

Nunca comprei nada da marca, mas o pretendo fazer em breve. Existem pontos de venda espalhados por todo Brasil e também uma loja virtual para facilitar as compras.

Pelo que verifiquei na loja virtual a maioria dos produtos está na faixa de R$ 100,00, alguns um pouco mais e alguns um pouco menos. Os produtos não são muito baratos, mas também não considero caros, visto que são em sua maioria itens de cuidado com a pele.

Loja Virtual ADCOS

Loja Virtual ADCOS

Abaixo segue uma lista com os produtos listados no site da marca até a data do e-mail. Pode ser além dos produtos mencionados pelo SAC no momento do e-mail sejam criados novos produtos que tenham ingredientes de origem animal então sempre é bom verificar. Continue reading →